quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vozes


 
- Sua vida é uma merda, seu inútil.
“Malditas vozes”, pensa ele. “Isso precisa acabar, mas como?”
A algum tempo essas vozes começaram a atormentar Roberto. Todo dia, toda hora, todo minuto essas vozes vinham em sua mente.
“Estou cansado, preciso dar um jeito nisso.”
O único jeito de fazer isso, você sabe qual é? Somente com isso eu o deixarei em paz.
“Caralho, fazer o que?”
Algumas imagens de um passado não muito distante vêm a sua mente.

- Roberto... Ajuda, por favor... – grita Márcia.
Roberto observa paralisado a sua namorada ser estuprada e morta por um bando de marginais. E no final de tudo, ele ainda implora pela sua vida.
O grupo se afasta dele dando risadas pela humilhação.

“Não pode ser. O que é isso? Porque me lembrei disso agora?”
- Não importa, seu covarde. Você sabe o que deve ser feito, então faça. Faça e o deixo em paz para toda a eternidade.
“Não, não farei isso.”
Roberto sai correndo, quase louco com tudo o que está acontecendo.
Chega em um bar em frente ao edifício em que mora. Pede uma dose de vodka. Mais uma dose... Pede a garrafa.
- Só bebendo mesmo Roberto, para esquecer o merda que você é.
“Droga até aqui. Nem bebendo isso me abandona.”
Já meio tonto pela bebida Roberto sai correndo em direção ao edifício novamente.
Pega o elevador e vai até seu apartamento.
- Sempre fugindo. Sempre com medo.
“Cala a boca, caralho. Eu não agüento mais.”
Roberto vai até o banheiro, lava o rosto. Precisa se recompor.
- Isso não vai adiantar nada seu merda. Você vai continuar o mesmo covarde de sempre. O passado nunca irá abandonar você.
“Ok, vou acabar com tudo isso.”
Roberto calmamente caminha até o seu quarto. Abre uma gaveta em seu guarda-roupa. Tira todas as roupas que estão dentro e no fundo da gaveta está o que ele tanto procura, o seu revólver.
- Finalmente, seu idiota. Vai tomar uma atitude de homem.
O cano do revólver em sua boca. Um disparo. Um corpo no chão.
Duas almas inquietas se olhando. Mais uma vez Roberto e Márcia estão juntos.
Márcia o observa e ri. Conseguiu a paz que procurava.
Roberto a observa desaparecer.
Ele chora, chora por estar morto. Chora por ser um covarde. Chora por não ter tomado atitudes quando necessárias.
O fim de uma vida. A vida de um homem que nunca irá descansar.

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