sábado, 9 de julho de 2011

Aborto


 
Ele apenas observa a discussão.
- Você é louca? Porque não me disse que estava em seu período fértil? – grita Flávio.
- Meu amor, calma. Acho que poderemos...
- Poderemos o que? Criar uma criança? Não, nem pensar.
Flávio sai daquela casa batendo a porta.
Ele senta ao lado dela. Tenta fazer um carinho para acalmar Márcia, mas parece que ela não o sente, ou finge não sentir.
Márcia chora desesperadamente. O seu sonho em ter um filho parece que irá por água abaixo. Flávio não o quer.
Ele tenta consolar. Ela não o escuta.
Márcia liga para o celular de Flávio.
- Pensei melhor Flávio, farei o que deve ser feito.
E desliga.
Ela pega sua bolsa e a chave do carro.
Ele tenta falar com ela, tenta fazer ela desistir da idéia. É impossível ela parece não o enxergar ou ouvir.
Márcia segue em direção a uma clínica clandestina que faz abortos. Ele continua com ela, tentando em vão persuadi-la a desistir.
Márcia fala com o médico. Está tudo certo. Será feito agora mesmo.
Se dirigem para a sala onde será feito o aborto. Todos os procedimentos são realizados.
Ele observa. Triste.
O aborto começa a ser realizado.
Uma pequena complicação com Márcia.
“Não.” – ele grita.
Ninguém ouve como sempre.
No meio de tudo isso, pela primeira vez Márcia consegue enxerga-lo e ouvi-lo.
Ele está dizendo “não, não faça isso”.
Mas é tarde demais.
Ele enxerga o feto sendo retirado.
Ele vê a sua chance de retornar indo embora.

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